Vitória, 08 de Setembro de 2010

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Economia

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Greve no MTE lota o Sine de Vitória

Apesar do aumento no número de vagas, a falta de qualificação continua sendo o grande entrave na contratação

Por Priscila Bueker (pbueker21@eshoje.com.br).

Quem passa de segunda à sexta-feira em frente à Agência Municipal do Trabalhador de Vitória pode constatar que nos últimos meses a fila em busca da tão sonhada vaga de emprego aumentou de forma significativa. A paralisação das atividades do Ministério do Trabalho, desde 20 de abril, somada à ampliação da oferta de vagas, aumentou em 30% a demanda na agência.

Segundo a Secretaria de Trabalho e Geração e Renda da Prefeitura de Vitória (Setger), por dia são ofertadas em média 280 vagas para cerca de 500 pessoas que comparecem ao antigo Sine, no Centro da capital. Destas, 70% só pelo turno da manhã.

"Como as agências do Ministério do Trabalho estão fechadas, estamos atendendo pessoas de Linhares, São Mateus e de todo interior do Estado. Elas nos procuram para dar entrada no seguro desemprego e na carteira de trabalho. Nós temos no banco de dados 200 mil pessoas cadastradas.

Cerca de 40% são moradores de Vitória. Os outros 60% são pessoas da Grande Vitória, do interior e até de outros Estados. Também disponibilizamos a oferta de vagas pela internet. Contudo, realmente a demanda aumentou nos últimos dois meses, também pelo reaquecimento do mercado econômico", afirma o subsecretário de Apoio ao Trabalhador, José Carlos Gomes Ferreira.

Pela segunda vez em quinze dias, a comparecer na Agência do Trabalhador, o motorista, Jorge José Ribeiro, espera ansioso ser beneficiado por este crescimento econômico. Ele, que tem 36 anos, atualmente mora em São Torquato, em Vila Velha e, há seis meses, está desempregado. Ribeiro, que é natural de Piúma, busca a recolocação no mercado. O motorista quer ter condições de trazer a esposa e o casal de filhos, de 15 e 18 anos, para vir morar com ele.

"Quero trazer minha família, mas primeiro preciso conseguir um emprego de carteira assinada. Eu tenho experiência como motorista e minha expectativa é sair daqui, pelo menos com uma entrevista marcada. Vi pelo noticiário que tinha vaga e acordei cedo, às 5 horas da manhã, com a esperança de ser efetivado. Se Deus quiser, vai dar tudo certo", acredita Ribeiro, que cursou até a 7° sétima série do ensino fundamental, mas diz pretender voltar a estudar quando tiver oportunidade.

Perfil da maioria é de ensino médio

O jovem, Ruan Karlo Soares, de 20 anos, também está em busca de uma vaga no mercado de trabalho. Sob o olhar atento da mãe, a funcionária pública, Gláucia Maria Soares (57), o jovem revela querer trocar de profissão. O último emprego de Soares foi como auxiliar de estoque e logística, durante um ano e oito meses, no município de Serra. Antes, ele havia sido menor aprendiz nesta mesma empresa.


"Busco uma vaga de ajudante de montador, apesar de não ter experiência na área. Tenho somente o ensino médio. Meu primo viu a vaga no site e vim correndo com minha mãe. Levantei cedo para não enfrentar fila, mas não tem jeito. Mesmo assim somos muito bem atendidos. Estou precisando deste dinheiro, pois quero também investir em cursos", revela o jovem, sorridente. Mãe e filho são moradores do bairro Feu Rosa, na Serra.


Ruan Karlo está dentro do perfil geral dos trabalhadores que buscam uma vaga na Agência Municipal do Trabalhador de Vitória. "Hoje 70% do nosso banco de dados é de nível médio. O nosso percentual de pessoas analfabetas é quase nulo. Apesar da alta demanda, estamos com dificuldade de contratar trabalhadores qualificados para a construção civil, por exemplo.

Inclusive estas vagas curiosamente são ocupadas por moradores de Cariacica e Viana. Os moradores de Vitória geralmente são uma mão de obra mais qualificada. Tanto que as vagas de nível superior são ocupadas geralmente por quem mora na capital", explica o subsecretário de apoio ao trabalhador.

A agência municipal do trabalhador foi municipalizada em 2008. Antes, o serviço de encaminhamento ao emprego pertencia ao Governo do Estado. Só no mês de junho cerca de 12.221 pessoas foram cadastradas no banco de dados.

Destas, 1108 foram encaminhadas para entrevista, sendo que 35% a 40% dos encaminhados foram aproveitados. Os outros 30 % a 40% foram encaminhados, mas retornaram à agência por não conseguir uma colocação. Incluindo aqueles que não passaram pelo estágio probatório, período de experiência que corresponde aos primeiros três meses de trabalho. Os setores que mais empregam são o de serviços, construção civil e comércio.

Falta de qualificação e mercado favorável são causadores de rotatividade

Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), divulgados no último 16 de julho, apontam que o Espírito Santo registra quatro trimestres consecutivos de crescimento. No primeiro, esse registro foi de 5,8%. O grande crescimento econômico se dá pela força da indústria e exportação do Estado.


No compasso do desenvolvimento, a grande oferta de vagas também gera problemas estruturais. A operadora de telemarketing, Kátia Oliveira, diz que não conseguiu se adaptar ao último emprego, onde trabalhou como vendedora em um shopping de Vitória.

"Já fiz curso na área de telemarketing, trabalhei em uma empresa terceirizada, mas não gostei. Sai, fui trabalhar no shopping, e descobri que não tinha aptidão para vendas. Pretendo voltar a trabalhar com telemarketing por meio período, pois quero fazer curso na área de gestão empresarial", conta Oliveira, que mora em Vila Graúna, Cariacica.

"No cenário atual, temos dois momentos causados pelo mercado superaquecido. O crescimento econômico forte gerando demanda dos trabalhadores. E o trabalhador, por ter muita opção, muitas vezes 'pula de galho em galho'. Mas a principal situação que ainda acontece é a empresa demitir o funcionário, por falta de qualificação, até mesmo no período probatório.

As empresas estão, atualmente, menos preocupadas com experiência e mais preocupadas com a qualificação de quem ocupa uma vaga.", conta o economista, Tyago Hoffmann. Hoffmann explica que do ponto de vista organizacional, quando o gestor analisa um currículos e vê que o entrevistado não é fiel a nenhum projeto, ele não contrata porque sabe que, a qualquer momento, o empregado poderá deixar a empresa.

A rotatividade dos funcionários não é benéfica também para a empresa. "As empresas almejam pessoas comprometidas com sua filosofia de trabalho. Geralmente elas procuram funcionários capacitados tanto no sentido da educação formal, do estudo, quanto da qualificação por meio de cursos."

Em busca da vaga

Agência Municipal do Trabalhador de Vitória
Endereço: Avenida Princesa Izabel, 599, Edifício Março, térreo, Centro.
Telefone: (27) 3132-5310/ www.vitoria.es.gov.br

 
 




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