Fernanda Coutinho
fcoutinho@eshoje.com.brfoto de Leonardo Sá

Na manhã desta quinta-feira (01), o diretor do escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e Cone Sul, Bo Mathiasen, defendeu que os usuários de drogas não sejam tratados como criminosos, mas, como pessoas que necessitam de tratamento. Bo Mathiasen participou do debate sobre o consumo de drogas e sua relação com o crime na América Latina e no Brasil, promovido pela Frente Parlamentar de Políticas Sobre Drogas, da Assembléia Legislativa do ES (Ales).
O diretor também apresentou o “World Drug Repor”, um relatório anual que a ONU elabora sobre a produção, o tráfico e o consumo de drogas no mundo. Os dados são baseados em questionários que os países membros respondem à ONU. Bo Mathiasen lembrou que, em 2009, completam-se 100 anos da Conferência de Changai, onde foi iniciado um sistema em que se pensou um maior controle dos países sobre a questão das drogas.
“Os limitados recursos do sistema de segurança devem ser direcionados às ações de inteligência policial, destinados a combater os financiadores do tráfico, para combater o crime organizado. Não adianta continuar a repressão contra os pequenos traficantes. É preciso identificar hierarquias e desarticular”, afirmou o diretor.
Bo Mathiasen considera que a legalização das drogas não é a solução para acabar com o crime organizado. “O crime organizado não existe somente por causa das drogas. Existe por causa de uma série de atividades ilícitas, como os jogos ilegais. É um mito que a legalização vai acabar com o crime organizado”, frisa.
Políticas de prevenção e investimentos na recuperação dos usuários são fundamentais, observa o representante da ONU. “Tem que punir o traficante, mas, tem que ajudar o cidadão que é dependente. Os usuários não podem ser considerados criminosos, mas, doentes. É preciso fazer políticas públicas integradas de segurança e saúde pública”, destaca.
O diretor destacou que, atualmente, o Brasil possui 180 Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas (Caps AD), no Brasil, e seriam necessários um para cada 100 mil habitantes, de acordo com parâmetros do Ministério da Saúde.
O presidente da Frente Parlamentar de Políticas sobre Drogas, Rodrigo Chamon (PSB), destacou que nesta quarta-feira (30), deputados assinaram um documento referente a proposta de inclusão, na Constituição do Estado, de um capítulo sobre a politica anti-drogas.
Segundo o presidente da Comissão de Segurança da Ales, deputado Da Vitória (PDT), o objetivo não é somente mostrar os problemas, mas, construir uma proposta de uma pasta exclusiva sobre drogas, pelo Governo do Estado.
O secretário Estadual de Justiça, Ângelo Roncalli afirmou que o Estado busca coibir a entrada de drogas, nas prisões. “O Espírito Santo tem dado passos importantes, apesar de reconhecermos os problemas do sistema prisional”, afirmou o secretário. Roncalli destacou a construção de unidades prisionais, a proibição do uso de cigarro nesses locais, assim como a entrada de malotes, como forma de coibir o acesso dos usuários a drogas.